A crise do Judaísmo Moderno no contexto brasileiro

Possibilitando compreender as idiossincrasias que giram em torno do processo de construção das identidades dos povos que ajudaram o Brasil a se constituir uma nação, Bernardo Sorj irá nos apresentar as características de uma identidade forjada em terras alheias a sentimentos pertinentes, a formação social do povo Judeu. Entenderemos que, de certa forma, o Brasil interrompeu a perpetuação de uma identidade genuína que foi marcada por sentimentos de angústias históricas.

 

O modo de vida e fusão de povos que povoaram o Brasil eram sempre de vidas públicas, seja nas festas, na culinária, na educação, ou como exprimimos: tudo no Brasil é festa! É abertura para o outro. Diversamente, dos povos Judeus o que prevalece é a família e as festas, a culinária, ou a educação vem em segundo plano. Sorj reconhece que a sociologia no Brasil sempre esteve mais voltada para as questões sociais, envolvendo negros, índios, e brancos deixando de fora os Judeus, segundo ele, as pesquisas quase que não contemplaram a cultura judaica.

 

A pesquisa é fruto de trabalhos apresentados na III Conferência Braziliam Studies Association, realizada pelo King´s College Cambrige, em setembro de 1996. Resultou no que Sorj explica que, o Estado brasileiro foi de certa forma favorável ao processo da imigração, porém, isso não se deu simplesmente por um processo de caridade fraternal, e sim, por conta de uma política de embranquecimento realizado em solo brasileiro.

 

É necessário salientar que, toda essa situação foi norteada por três temas: Limitação ao impacto antissemita no Brasil; história e sociologia judaica no sec. XX, e os estudos sobre Judaísmo.

 

Identificado o eixo Rio de Janeiro e São Paulo, como sendo os locais onde se concentram os maiores números de judeus no Brasil, a situação aqui é distinta da América Latina, em face da mencionada política de embranquecimento, pois não é suficiente para se compreender o antissemitismo brasileiro, de acordo com Sorj. A formação do povo brasileiro se dá por duas vertentes sociais: caráter integrador social e a outra pelo processo do racismo, que vê no branco a possibilidade de progresso mundial, exatamente o modelo de racismo Europeu.

 

Segundo o sociólogo Roberto Da Matta somente a segregação é capaz de superar as hierarquias sociais. Sendo assim, reconhece a segregação como o único caminho que conduz ao princípio da alteridade, o racismo, sem embargo, estaria impregnado nas hierarquias individuais, embora Da Matta seja para Sorj, um diferencial da sociologia brasileira, ele irá discordar, porque entende Sorj “ que todas as sociedades modernas vivem crise culturais, não só o Brasil”, Sorj entende também que, “o cosmopolitismo econômico” presente no eixo Rio/São Paulo foi um forte referencial para aceitação dos povos judeus.

 

Com efeito, ajudou a superar o ódio histórico que os católicos sentiam e pregavam contra os Judeus, o Judaísmo passou a ser parte integrante da sociedade Brasileira, porém na visão de Sorj, o judaísmo brasileiro é um tanto pobre culturalmente pela ausência da angústia. O conceito de identidade de Sorj converge com Zygmunt Bauman, a identidade não é um processo estagnado é algo que está sempre em movimento.

 

Referência: GRIN, Monica. Diáspora Minimalista: A Crise do Judaísmo moderno no contexto brasileiro. IN: SORJ, B. org. Identidades judaicas no Brasil contemporâneo [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. 109 p. ISBN: 978-85-9966-260-1. Disponível em: <http://books.scielo.org>.

 

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