Postagens Recentes

BRINCANDO NOS CAMPOS DO SENHOR

Brincando nos campos do senhor, é um filme de Hector Babenco (1991) o autor nos desperta um olhar diferenciado do índio na Amazônia, a figura do herói romântico das literaturas indígenas que temos aqui no Brasil é deixada de lado, o autor desperta nossa atenção para o processo da aculturação seguida da exploração do homem branco em direção as terras indígenas


O filme inicia com a chegada de dois Americanos que por falta de combustível em sua aeronave são obrigados a fazerem um pouso de emergência na floresta Amazônica, lá i encontraram um casal de missionários que estavam a espera de outros missionários que tem por finalidade evangelizar e domesticar os índios Amazonenses.


Devido a falta de documentação legal da aeronave, o chefe de policia da região que também e descendente de índio, proem aos Americanos que os mesmos deveriam bombardear as aldeias Niarunas para espantar os índios pois as terras Niarunas estavam repletas de jazidas de ouro.


Um dos Americanos de pre-nome Moon, que também é de descendência indígena, após ingerir uma forte quantidade de ayahuasca, chá que provoca fortes alucinações. Pega seu avião e resolve passear nos caminhos do senhor, soltando de paraquedas e caindo nas imediações da aldeia dos Niarunas, em seguida caminha pela selva ate chegar na aldeia.


Ao chegar à aldeia é recebido pelos índios Niarunas como um Kisu, uma espécie de deus que domina o trovão é o raio, Kisu tem por finalidade unir os povos da selva, a partir dai o filme ganha outra dimensão, sendo que o Americano Moon passa a ser o personagem principal do filme pois sua chegada na tribo vai modificar todo modo de vida da tribo.


Hector Babenco nos fornece no filme fortes evidencias, que nos conduzem aos tetos de DUPUIS, Jacques. O cristianismo e as religiões: do desencontro ao encontro. São Paulo: Loyola, 2004, p. 88-96 [Capítulo II, 2:, e O Concílio Vaticano II: um divisor de águas].¡ MENDONÇA, Antônio G. O movimento ecumênico no século XX – algumas observações sobre suas origens e contradições. Tempo e presença, v.3, n.12 (2008).


No primeiro texto o autor nos desperta a refletirmos sobre a tolerância p.17 tudo que não acontece com as chamadas Missões evangelizadoras que ocorreram e ocorrem ainda na Amazônia o processo de aculturação e desconhecimento do principio da alteridade tem levado muitas pessoas a usurparem a cultura alheia de forma violenta e desregrada.


DUPUIS acrescenta que esta falta de tolerância é oriunda da falta de conhecimento, pois o olhar é estereotipado, é visto apenas de fora, acrescente o autor que o respeito pela cultura alheia é necessário para a sobrevivência humana.


A experiência religiosa dos povos Niarunas são experiências distintas das experiências Cristãs segundo Dupuis “a Religião nunca é vinculada apenas no intelecto. Ela envolve igualmente também as emoções.” O cristianismo é um religião Racionalizada e fundida com outras religiões, a religião dos Niarunas se funde com o imaginário nesta ontologia entre homem e animal.


No segundo texto Mendonça nos mostra em seu texto que a vinda das chamadas missões ao Brasil trouxeram em sua bagagem uma visão distanciada do principio da alteridade, o processo de evangelização feito pelas igrejas católicas, é protestante acabaram desenraizando uma relação entre sagrado é profano que não se construí na racionalidade e sim em um mundo além da racionalidade, o uso das plantas (ayahuasca), conduzir o índio o seu estado natural, homem e natureza se funde em um só corpo.


As missões norte Americana, ao chegarem ao Brasil não respeitaram esta forma de relacionamento que o índio mantem com o sagrado, o processo de espiritualidade dos povos indígenas causaram estranhamento entre as culturas e a sede de dominação Europeia não respeitou o que foi encontrado aqui.


Nesta abordagem o concilio vaticano II foi um espécie de divisor de aguas no tocante a abertura de um dialogo inter-religioso entre os povos de origem não cristã, este dialogo possibilitou pela primeira vez um dialogo entre as religiões destacando o ecumenismo entre as religiões cristãs, e o dialogo inter-religioso entre as demais.


Hector Babenco no filme Passeando nos campos do senhor nos possibilita também pensarmos caminhos mais harmoniosos no tocante ao respeito às demais culturas, a presença de um Americano na tribo Niarunas não só desequilibrou as questões de saúde pública, como no caso da gripe trazida pelo Americano, desestabilizou o espaço sagrado o tal deus Kisu esperado pelo Niarunas teve sua identidade violada pela interferência do homem branco.


O filme nos mostra ainda o verdadeiro genocídio que os povos indígenas sofreram com a invasão do homem branco, a tentativa de conversão foi para Babenco uma arma de dominação e usurpação cultural dos povos indígenas do Amazonas, as autoridades que são responsáveis pela segurança dos nativos são as mesma que negociam suas terras.


A utilização do chá alucinante feita pelo Americano levou ele a brincar nos campos do senhor e nos proporcionou entender que existe um abismo muito grande entre uma cultura civilizada e uma cultura selvática.


REFERÊNCIA


DUPUIS, Jacques. O cristianismo e as religiões: do desencontro ao encontro. São Paulo: Loyola, 2004, p. 88-96 [Capítulo II, 2: O Concílio Vaticano II: um divisor de águas].


¡ MENDONÇA, Antônio G. O movimento ecumênico no século XX – algumas observações sobre suas origens e contradições. Tempo e presença, v.3, n.12 (2008).¡ O


Nossa Localização

O que achou do site?