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Conexões Místicas: um diálogo entre Simone Weil e Teresa de Ávila acerca do amor


RESUMO


Pretende-se aqui analisar pontos de confluências místicas entre Simone Weil e Teresa de Ávila objetivando buscar uma compreensão do significado da experiência Mística acerca do amor entre essas duas pensadoras, especificamente analisando os tipos de Experiências vividas pelas autoras. Uma ligada à tradição, porém rompendo com paradigmas eclesiásticos e a outra, a luta e recusa da tradição; buscaremos também, compreender o desejo de ambas, em fazer de suas experiências algo que deve ser seguido por todas as pessoas que desejam ir além da racionalidade humana.


Palavras chaves: Mística, Amor, experiência, tradição, pensadoras.


INTRODUÇÃO

Admitamos que a Mística, sempre foi um fenômeno presente na história da humanidade, sendo assim, é possível encontrarmos diversos tipos de evolução da espécie humana marcadas pelo fenômeno Místico. Podemos afirmar também que a Mística sempre produziu um comportamento distinto da racionalidade humana, seja ela voltada as questões laborais ou espirituais a ciência é um forte exemplo; ela inicia-se com um alquimia, sendo que: magia e magico travam um batalhar do saber e o resultado disso tudo é a ciência quebrando paradigmas como nos diz Tomas Kuhn na obra KUHN, T.S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1998.

Será tarefa desse artigo, evidenciar que embora ambas as autoras tivessem vivido em época distinta o mover místico permanece intacto ao processo histórico, pois a mística é criadora de linguagem, porém não pode ser explicada através dela. O místico é sempre aquele que esta para além dos conceitos sócias de sua época. A mística não se deixa ser enlatada em um conjunto de dogmas institucionais, veremos que tanto Simone Weil, como Teresa de Ávila são exemplo claro dessa mística do amor incondicional presente na historia da humanidade.

Entendendo que a Mística ao longo da historia da humanidade nunca se permitiu ser um produto, ou um sistema que só cabia na clausura. Como podemos observar desde os primórdios da humanidade o homem evidencia uma tendência natural de transcender o campo da racionalidade e formar uma nova cosmovisão de vida.

E para que esta fecunda relação comece a se estruturar como um dos elementos fundante da formação da espécie humana, a mística escapa das amarras da tradição, convidamos duas mulheres que viveram em séculos e dias diferentes, uma delas ligada a tradição, porém sem se permitir ser institucionalizada, a outra não ligada a tradição, mas que fez de seus trinta e quatro anos de vida, ações que lhe permitia ser chamada de santa pelos que a conheciam.


“O Místico é o tipo que enuncia, como ninguém, o seu maior desejo, o desejo absoluto, que não é se não o desejo de absoluto”. Narrativas místicas: antologia de textos místicos da historia do Cristianismo/ Maria Clara Bingermer e Marcos Reis Pinheiro (org.)-São Paulo: Paulus, 2016- coleção amante do mistério. P.17


Desenvolvimento


Propõe o tema: conexões místicas: um diálogo entre Simone Weil e Teresa de Ávila acerca do amor. Analisar os epistolários, dessas duas místicas que marcaram seu tempo e a história da humanidade. Estabeleceremos uma conexão entre Simone Weil e Teresa de Ávila motivadas pela Mística do amor, essas mulheres amaram de forma tal que a racionalidade humana de suas épocas serão impactada por esses Ethos de transcendência incondicional.

Assim, com as leituras realizadas durante esse percurso e o acesso cada vez mais constante desse amor entre duas mulheres em destaque, surgiram alguns questionamentos que me levaram a escrever este artigo.

Inicialmente questionei alguns aspectos sobre Ávila e Weil: o que levaria duas mulheres de épocas diferentes e visões distintas sobre o sagrado a viverem uma experiência mística acerca do amor? E como evidenciar o processo da mística distanciada do processo da clausura que era algo típico na História da mística, e ainda, como compreender a mística do cotidiano como sendo um processo contemplativo?

Essas indagações perturbava-me dia e noite após leitura dos epistolários de ambas autoras que me motivaram a mergulhar no universo místico algo tão emblemático que não pode ser retido nem pela linguagem nem tão pouco pelas instituições.

Responder a estas perguntas não é tarefa simples. Por essa razão, formulou-se como hipótese a possibilidade de pensar que a Mística está para além do processo da clausura, e pode ser vivida no cotidiano, por qualquer pessoa que tenha a vocação e interesse de viver além das instituições. Podemos pensar que das experiências de Simone Weil, e Teresa de Ávila pode-se compreender que a Mística não é um processo mediado pela racionalidade humana, portanto, esse ideia pode ser postulada a partir de tais princípios: a) A mística é considerada loucura para quem não vivencia a experiência; b) A mística é motivada pelo Desejo e pela vontade interior que vai acima da racionalidade humana e é permeada pelo desejo contemplativo do amor; c) A contemplação só é possível a pessoa que deseja focar algo que abala a sua estrutura racional.

Por tais questões apresentada aqui nosso ponto de partida, será analisar o perfil de Simone velhas e Teresa de Ávila tentando buscar uma compreensão do significado da experiência Mística acerca do amor entre essas duas pensadoras. Mas como isso se dará de fato?

  1. Especificamente analisar os tipos de Experiências vividas pelas autoras, uma ligada à tradição, e a outra, a luta e recusa da tradição;

  2. Ainda, compreender o desejo de ambas, em fazer de suas experiências algo que deve ser seguido por todas as pessoas que desejam ir além da racionalidade humana.


A ANDARILHA DOS CARMELOS.

Teresa de Ávila como assim era conhecida propõe viver uma vida piedosamente, “não é uma mulher de escrita para os doutores. Teresa escreve pouco porque Teresa escreve com a alma e o coração”

Podemos citar varias obras de sua autoria: plano da experiência vivida 1565, relações 1560 e 1581, mensagem ascética caminho de perfeição 1566, constituições 1567 e 1581, modos de ensinamentos místicos, castelo interior 1577 exclamações conceitos de Deus caminho de vida de grupo, Fundações 1537 1582, epistolário poesias escritos humorísticos vexames e desafios são obras que fazem parte dos escritos de Teresa. Duas obras maiores preenche o espaço Central no magistério Teresiano são elas: o caminho de perfeição, e o castelo interior. Obras de Formação espiritual para as monjas.

Todavia para Teresa de Ávila ensinar, ela entendia que: teorizar é transmitir convicções e comunicar experiências, ela também escreve conceitos de amor, um comentário que ela faz acerca do livro Cântico dos Cânticos ou Cantares, mergulharemos no conceito de amor Teresiano, do qual se encaixa como uma luva no conceito Weliano. Escreve também o primeiro escrito espiritual crítico e humorístico.

  1. ESTADO DA ARTE

Teresa de Ávila, canonizada Santa da igreja católica, e Simone Weil uma professora de filosofia, ambas viveram sua experiência Mística e estabeleceram um fecundo diálogo permeado exclusivamente pelo amor, mas não o amor da subserviência, ou de dogmas estabelecidos, mas o amor das transformações sociais.

Teresa de Ávila nasceu no dia 28 de março de 1515 em Ávila, e morreu em 4 de outubro de 1582 em Alba de Tormes, ela viveu exatamente 67 anos, dos quais sua vida e obra a transformaram em doutora da Igreja. É também conhecida como a fundadora da ordem das Carmelitas descalças.

Sendo fundadora dos Carmelos mantem uma relação intensa como o campo da Mística, Teresa é uma mulher inquieta apelidada de perturbadora, andarilha, uma mulher que faz da experiência Mística, e da vontade de amar uma forma de contemplação do divino.


“ É verdade que, não podendo usar o intelecto, quem persevera chega mais depressa á contemplação, mas com muito sofrimento e aflição. Se não há o emprego da vontade, nem o amor tem como se ocupar, a alma fica sem apoio e sem exercício; a solidão que sobrevém, acompanhada de aridez, é causa de grande sofrimento e instala um enorme combate as pensamentos.” Edição brasileira estabelecida a partir de obras completas, texto revisado e anotado por Frei Tomas de Lá Cruz OCD Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1997. As cartas seguem o texto original segundo a edição critica de Frei Silvério de Santa Teresa, OCD.p40

Marcada pela presença do amor, Teresa quando jovem padecia de uma enfermidade muito grave e seus pais logo percebendo a necessidade de bons tratamentos sempre estiveram ao lado dela, e no dia 24 de agosto de 1562 iniciava a vida de Teresa no pequeno mosteiro chamado de São José de Ávila.

O amor é um dos elementos fundantes da Mística. O homem quando resolve transferir sua materialidade, isso só se é possível por força do amor; embora estas mulheres tivessem pertencido há séculos e tempos distintos, ambas observaram que a experiência Mística é permeada pelo amor, o amor de contemplar o Divino e fazer dessa experiência algo que pode ser vivido por qualquer pessoa independentemente da racionalidade humana.


“Assim é que não perturba ver uma alma com grandíssimas tentações, por que se há amor e temor de nosso Senhor, ela há de sair como muito proveito” Edição brasileira estabelecida a partir de obras completas, texto revisado e anotado por Frei Tomas de Lá Cruz OCD Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1997. As cartas seguem o texto original segundo a edição critica de Frei Silvério de Santa Teresa, OCD.p851


A família de Teresa tinha o desejo que ela entrasse para o convento e tomasse o hábito, pois quando jovem ainda, ela gostava muito de ler romances de Cavalaria e esses romances levavam Teresa para uma dimensão da vida diferente de tudo aquilo que ela vai viver dentro do Carmelo, no livro da vida ela reconhece quanto tempo perdeu e as péssima influencias de teve na sua vida, por parte de pessoas de sua família, que quase a privaram de viver suas grandes experiências míticas. “Teresa é uma reformadora religiosa de seu tempo”p.24 obras completas editora Loyola.

Sendo fundadora dos Carmelos, Teresa de Ávila tem sua vida espiritual marcada fortemente pelas influências de uma obra que é indicada por um dos seus tios chamada de abecedário. Quando Teresa vai ler abecedário, ela começa a sentir o desejo de viver uma experiência mais próxima do divino.

A santa deixou vários papéis espaços que figuravam como restrito, o seu autógrafo da obra castelo interior se conserva nas Carmelitas descalças de Servilha. E no caminho de perfeição as primeiras obras de Tereza foram traduzidas por Frei Luís de Leon que precedeu o padre Gracián nas constituições Alcalá Frei Luiz responsabilizou-se pelas obras completas fora da Espanha.



Na sua viagem rumo ao outro, Teresa indica um dado importante para cultura europeia. Para que o eu exista, o cogito de Descartes não é suficiente. O eu tem necessidade do outro, como qual instaura uma ligação indispensável. O eu e o outro se identificam e se confundem com o outro. Teresa cria esta ligação como a divindade. Para ela, a transcendência torna-se imanência. Desse modo, coloca-se no caminho do humanismo Cristão que daria lugar ao humanismo moderno. Justamente porque Deus é o infinito estão nela, Teresa tornou-se uma pessoa de linguagem infinita p.226. (Narrativas místicas: antologia de textos místicos da historia do Cristianismo/ Maria Clara Bingermer e Marcos Reis Pinheiro (org.)-São Paulo: Paulus, 2016- coleção amante do mistério).

A difusão das obras da Santa Teresa termina só no século XVI, na Itália devemos também ter grande gratidão a Madre Maria José de Jesus Honorina, que residia na Rua Capistrano de Abreu monja Carmelita descalça do Mosteiro de Santa Teresa no Rio de Janeiro ela foi a primeira traduzir no Brasil obras completas de Santa Teresa.

Em um mundo tão masculino e conservador onde a tradição se quer reconhecia o ministério feminino a noviça Teresa consegui colocar os pês no chão e formar uma das mas fecundas ordens da tradição os Carmelos no Livro da vida ela conta com detalhes a dura jornada da vida, de um mística que desafiou seu tempo pelo simples desejo amar os pobre e as mulheres abandonadas.

POR UMA FILOSOFIA MISTICA LIBERTADORA PERMEADA PELO DESEJO DE AMAR.

Simone Weil nasceu no dia 3 de fevereiro de 1909 em Paris é filha de uma família judia, sua mãe a senhora Selma Reinherz, uma dona de casa dedicada ao lar, o seu pai doutor Bernard Weil médico. Irmã de André, muito dedicado e estudioso da matemática a família Weil é uma família hospitaleira e totalmente comprometida coma formação de seus filhos.

Seu irmão André tornou-se desde cedo um magnifico intelectual, um grande matemático, este fato levará Simone Weil a profundas crises de angustia existencial, pois acreditava no começo de sua jornada mística, que por não ter a mesma capacidade que o irmão, ela não poderia desfruta de tal experiência, chegando ao ponto de sentir profundas indignações.

Simone Weil viveu no século das dores marcado por muitas violências pelas duas guerras mundiais muitas lutas e muito sofrimento. É o século da Guerra Civil Espanhola, da bomba de Hiroshima, das Guerras dos Camboja no Vietnã, enfim, é um século marcado por uma violência muito grande.

Outro ponto que podemos destacar aqui na Biografia de Simone Weil, é que ela quando aluna de filosofia, aos pés de seu estimado mestre Alain, no Ècole Normal Supéreure, um filosofo equilibrado, que não utilizava seus métodos conceituais presos a sistemas, e sim por um método intelectual justificado pelo principio da razão, sempre submetendo toda realidade a ordem de uma boa reflexão.

Acreditava que a única forma de se atingir o conhecimento da verdade era através do conhecimento e da reflexão teórica, ou seja, vivia a racionalidade, essa era a primeira ideia que ela tinha de como se viver uma experiência Mística. Ao viver profunda experiências politicas, sendo militante dos partidos de esquerdas uma anarquista as extremas percebeu logo qual sua vocação de vida. Suas primeiras experiências com o transcendente serão vividas na sua própria interioridade no seu próprio desespero, a convicção que era possível superá-lo desde muito nova a movia em direção a uma mística, que logo percebera que não era algo que passaria pelo crivo da razão. Nem tão pouco produto da tradição que ditava a clausura como o único lugar possível de se viver tal experiência.

Em 1925, Simone Weil inicia como aluna do Liceu ao lado de seu irmão André sonhava em poder conquistar uma vaga na famosa Escola Superior da Rua U´lm, em Paris, onde lá trabalhava o estimado professor Alain. Fazer parte desta honrada classe do professor Alain, era para Simone Weil, algo muito honroso. Alain terá uma grande uma influência na vida dela, ao lado da amiga Simone Pétrement, iram protagonizar uma belíssima amizade, Alain sustenta a ideia de que, Simone Weil, representa uma ruptura, o Novo Nascimento. É na classe de Alain que começa a surgir para o mundo essa tão conceituada mística do século XX. A filosofia funciona como uma espécie de agente impulsionador da mítica de Simone Weil.

Logo, Simone Weil tornou-se bastante amada e introduzida na classe do professor Alain, Simone Weil é também contemporânea na Sorbone de Lévi Strauss e Simone de Beauvoir. A experiência mística em Simone Weil é permeada pela mística do amor, é um doar de si, é sentir a dor do trabalhador na fabrica de automóvel Renault, e a penetração dos cânticos das esposas dos pescadores, quando seus esposos alçam o mar em busca de alimento para sua família, sendo assim nem a razão ou intelectualidade foram capazes de institucionalizar esta tão fecunda experiência.

Não por acaso que Simone Weil deixa o emprego de professora de filosofia para ir trabalhar em uma montadora de automóvel, para que a experiência mística se complete na vida de Weil, ela carece de sentir a dor do próximo, mesmo fraca e doente.

Embora tenha sido uma grande intelectual fazendo e perfazendo épocas, Simone Weil, fez da experiência Mística um exercício de compaixão, durante sua idade juvenil, ela acreditava que todo esse processo só poderia ser estruturado através do conhecimento e da racionalidade. A compaixão, o sofrimento e a solidariedade, e abertura aos outros, são ingredientes presentes no pensamento Místico de Simone Weil, o que é razoavelmente possível estabelecer varias conexões entre ela e Teresa de Ávila, duas Místicas em séculos diferentes, porém totalmente interligadas pelo desejo de amar.


“Simone Weil recusa todo constrangimento feito a alma e a razão humana que não seja da parte de Deus. Deus move nossa vontade proporcionalmente a nossa atenção e o nosso amor.” Caminhos da Mística/ Faustino Teixeira(organizador)-São Paulo: Paulinas,2012-((Religião e Cultura). P.157


O século XX é também visto pelo século da guinada, do mundo teocêntrico para o mundo antropocêntrico. Pode também ser entendido pelo auge da secularização, recebendo fortes influencia dos pensadores, Freud, Marx, e Nietzsche, a ideia do mundo da morte de Deus vai ecoar nos quatro cantos do mundo, o Místico é uma personalidade, que não se limita a viver esta realidade.

Simone Weil e Santa Teresa de Ávila constituem uma grande oportunidade de viajarmos em suas bibliografias, mantendo fortes conexões, uma com a outra, e ao mesmo tempo, evidenciando, o novo perfil do Místico do cotidiano, uma mística permeada pelo amor, que não se permite ser produto da tradição religiosa, e nem tão pouco estar confinada no isolamento, “clausura”. A experiência mística dessas duas mulheres constitui o diferencial, tais experiências não podem ser vistas como algo banal, pois se assim o fosse seriam experimentos e isto não dignifica os seres humanos, que são os únicos capazes de viver tal experiência.

CONCLUSÃO

Não utilizamos por acaso os textos de Maria Clara Bingermer hoje a maior autoridade e tradutora de Simone Weil no Brasil, e os textos do Professor Faustino Teixeira reconhecemos nesses dois grandes mestres a possibilidade de ecoamos o sentimento místico de ambas as autoras. Possibilitando um redirecionamento da mística outrora presa a clausura, o místico de hoje pode estar nos presídios, hospitais, igrejas, nos bairros, nas ruas sem estarem presos a uma determinada instituição.

As experiências místicas quando é genuína promove mudanças e reflexões de geração em geração, e não pode ser algo esquadrinhado pela linguagem não é produto de um grupo, ou tão pouco é regida por dogmas, a mística é silenciosa não no sentido de isolamento mas no mover da espiritualidade transformadora.

O místico esta sempre para além dos paradigmas sócias ele é sempre anverso a tudo isso, Teresa de Ávila era vista por perturbadora, já Simone Weil um anarquista ambas foram para seu tempo alguém na contra mão dos preceitos morais, não tiveram vidas longas, pois o desejo de amar e cuidar dos outras pessoas as levaram a não cuidar tão bem de si mesmas porém todavia escreveram seus nomes na historia da humanidade seus exemplos transformadores levantaram milhares de pessoas a refletirem sobre seus papeis nesta tão efêmera vida.

Seja na ordem das carmelitas descalças, seja nas fabricas, seja na aldeia ouvindo os cânticos das mulheres dos pescadores, ambas fizeram de suas experiências místicas um mover para seu tempo, quebraram barreiras desafiaram as instituições e desarticularam a ideia de sexo frágil, tudo isso por amor que aqui o denominamos incondicional.

Quando a mística é fortalecida pelo desejo de amar o fenômeno ganha um lugar no campo da linguagem a historia é contada não simplesmente por estória mas sim pelo desejo transformador de vidas, em Simone Weil guardar algumas moedas para comprar doces para soldados vindos da guerra não significava tão somente fornecer um alimento, significava horas de obtenção de alimentos para si própria era como doar um pedaço de si própria, sentir as dores dos trabalhadores na fabrica de automóvel não é tão somente uma atitude anárquica, era também um ato de carregar as dores alheias sofre si.

Ao mesmo tempo ocorreram fatos de verossimilhança com Teresa de Ávila o magistério Teresiano é testemunha disso, tirar as sandálias dos pés em uma época onde as mulheres pagavam um alto preço pelo estado da pureza não era algo tão fácil, colocar os pés no chão era justamente sentir as dores dos pês alheios que nada tinha para calçar dormir nas ruas e adquirir mais doenças era sentir de perto as dores alheias.

Portanto as conexões a acerca do amor entre essas duas grandes mulheres que viveram em épocas distintas, mas que nem por isso deixaram de estimular e alimentar o desejo de amar, Teresa de Ávila só foi reconhecida como doutora da igreja pois sua morte gerando toda uma obra completa a cerca de seu magistério, já Simone Weil seus belíssimos textos filosóficos e seus diários foram também encontrados no pós morte por uma de suas amigas, os místicos em sua ampla maioria são visto como perturbadores em vida, e ovacionados em morte.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

______________, BINGEMER, Maria Clara Lucchetti. Simone Weil: a força e a fraqueza do amor. Rio de Janeiro: Rocco, 2007..

_______________,Narrativas místicas: antologia de textos místicos da historia do Cristianismo/ Maria Clara Bingermer e Marcos Reis Pinheiro (org.)-São Paulo: Paulus, 2016- coleção amante do mistério.

________________,Edição brasileira estabelecida a partir de obras completas, texto revisado e anotado por Frei Tomas de Lá Cruz OCD Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1997. As cartas seguem o texto original segundo a edição critica de Frei Silvério de Santa Teresa, OCD.

________________,Gilson Étiene. A filosofia na idade média/ Étiene Gilson: tradução Eduardo Brandão( revisão da tradução Carlos Eduardo Silveira Matos)- 2º ed.- São Paulo: Martim Fontes, 2007-(Paideia).

________________,Caminhos da Mística/ Faustino Teixeira(organizador)-São Paulo: Paulinas,2012-((Religião e Cultura).

________________,Simone Weil e o encontro entre as culturas/Maria Clara Lucchetti Bingermer ( organizadora).- Rio de Janeiro: Ed. Puc- Rio: Paulinas 2009.

_________________,Historia da Filosofia: Filosofia pagão antiga v.1/ Giovani Reale, Dario Antiseri:(tradução Ivo Stomiolo)-São Paulo: Paulus,2003.

_________________,Bíblia de Jerusalém nova ed. Revisada e ampliada 1998.

_________________,Greschat, Hans- Jurgen o que é Ciência da Religião. São Paulo: Paulinas, 2004.

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